• Priscila Ramalho

Quando a preocupação com a imagem passa dos limites

Atualizado: 10 de dez. de 2021

A dismorfia corporal, também conhecido como dismorfobia e transtorno disfórmico corporal, é caracterizado pela preocupação excessiva com a própria imagem, tendo como questão principal a existência real ou imaginária, de um ou mais defeitos na face, ou corpo, enxergado de maneira exagerada por quem a possui, dando uma importância fora do comum.


Dismorfia corporal
A dismorfia corporal é doença

Entendido como "feiura imaginária", a pessoa com dismorfia corporal não aceita e nem consegue enxergar que um aspecto físico não é fora dos padrões ou que um "defeito" não é tão acentuado do que ela realmente acredita.


Quando temos uma percepção errônea de algo em nosso corpo ou rosto, podemos desenvolver diferentes maneiras para lidar com o que nos incomoda. A questão se torna um problema quando começa a comprometer o nosso dia-adia. Podemos sucumbir à certos sintomas, pois por mais que falem e tentem nos provar o contrário, não conseguimos enxergar aquele "defeito" como ele realmente. é.


Uma pessoa que enxerga algo em seu corpo de maneira pior do que de fato é, comumente desenvolve depressão e ansiedade, pois não consegue lidar com o suposto problema. Em muitos casos, passam ter pensamentos obsessivos a respeito desse suposto defeito e apresentam comportamentos compulsivos decorrentes de tais pensamentos. O indivíduo se sente infeliz e pode sofrer prejuízos na vida social e até mesmo profissional, uma vez que busca o isolamento, a fuga e a evitação de situações cotidianas para não precisar se expor.


Transtorno é mais comum em mulheres

Dismorfia corporal
Mulheres acabam evitando o espelho

Segundo Savoia (2000), as queixas de defeito pode ser completamente imaginário, sem haver qualquer problema significativo em alguma parte do corpo ou então pode haver uma condição leve de alteração corpórea. Essa condição pode ser: cicatriz, estrias, marcas de espinhas, acnes no rosto, pelo facial, assimetrias no rosto ou em alguma parte do corpo, tamanho (considerado grande ou pequeno demais), marcas de nascença e até mesmo relacionado aos órgãos genitais.


Acomete principalmente as mulheres, e esse quadro ganha força especialmente por cobranças e expectativas sociais, o que tem sido severamente condicionado ao exigências mais cruéis com a vinda das redes sociais onde passam se expor mais e recebem críticas, ou se não se expõe, acompanham outras mulheres que apresentam "uma aparência perfeita" que muitas vezes são alteradas cirurgicamente e editadas em aplicativos antes de irem ao ar.


Entretanto atinge também os homens, em sua grande maioria relacionado a hipertrofia muscular, recebendo uma sub-denominação de Dismorfia Muscular.


A preocupação com academia e refeição restritiva também são problemas para quem tem dismorfia corporal, uma vez que fica obcecada por ganhar massa magra e zerar o percentual de gordura. Assenção (2012) descreve a preocupação com o ganho de massa magra como uma incapacidade de enxergar os resultados obtidos pelos tecidos musculares. Uma mulher, com o famoso corpo "sarado", vê sua imagem como insuficiente, não se sentindo satisfeito com os ganhos de seus treinos e sua alimentação. A prática de atividade física passa ser de mais de duas horas por dia e passam a ter uma preocupação exagerada dos efeitos de cada alimento no corpo, além de usar suplementação complementar com o objetivo de aumentar o rendimento físico. Exercerem um ritual diário de checagem dos ganhos obtidos, podendo chegar até 13 checagens no mesmo dia e essas checagem varia entre peso, percentual de gordura, medidas, entre outros.


Como acontece

Dismorfia Corporal
Evita o contato consigo mesma

Essa doença pode surgir como uma consequência de outras doenças psicológicas como a depressão, ansiedade e o transtorno obsessivo-compulsivo, um acidente sofrido, comparações familiares, revistas/sites que focam em estética e, como já citado, redes sociais.


A dismorfia corporal pode causar um ou mais dos seguintes comportamentos:

  • Isolamento social onde a pessoa não gosta de ser vista por outros pois acha que vão julgar sua aparência ou defeito de maneira cruel, seja no âmbito pessoal como nunca comparecer em festas e reuniões familiares, ou profissional escolhendo sempre oportunidades onde terá menos interação com pessoas, buscando até mesmo por home office;

  • Evitação de situações especificas, onde a pessoa até consegue ter interação social, mas não participa de algo específico, como por exemplo nunca ir em festa na piscina pois terá que mostrar algo que esconde com as roupas ou com maquiagem.

  • Rituais obsessivos e/ou compulsivos, como por exemplo, ter uma sequência exagerada de maquiagem para disfarçar imperfeições, ajustar o cabelo a cada minuto, ficar longos períodos se olhando no espelho ou checando imagem em qualquer superfície com reflexo, tomar vários banhos ao dia, escovar os dentes a cada hora, entre outros.

  • Recorrer de maneira desnecessária e exagerada aos recursos estéticos, como por exemplo, buscar por cirurgias plásticas e tratamentos estéticos variados, levando inclusive a problemas financeiros para conseguir custear os procedimentos.

  • Se comparar às celebridades, digital influencers, modelos em revistas, personagens de filmes, novelas e até mesmo livros.


Como tratar

Dismorfia Corporal
Faça as pazes com o espelho

Para a realização de um tratamento eficaz, é necessário levantar se existem comorbidades psíquicas para poder definir se o processo contará com psicofármacos como antidepressivos e ansiolíticos, ou se será apenas por meio de terapia.


A terapia cognitivo-comportamental se mostra bastante eficaz uma vez que trabalha a reestruturação cognitiva, ajudando a paciente a lidar de maneira assertiva e funcional com seus pensamentos e comportamentos relacionados ao suposto "defeito físico". Contará com psicoeducação, modificação cognitiva e exposição gradual. Podemos trazer recursos externos que servirão de apoio ao tratamento, como livros, filmes e séries que abordam o tema da autoimagem, perfis de pessoas, ativistas ou não do corpo real, material de auto ajuda, e o que mais for necessário e fazer sentido para a paciente.


Para realizar terapia, clique aqui e entre em contato.


Até mais!

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